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Setembro 2026
-------------- José Márquez
O tarot é um conjunto de 78 cartas que reúne imagens, símbolos e narrativas sobre a experiência humana. Os seus 22 arcanos maiores evocam temas como o início de um caminho, a escolha, a mudança, o equilíbrio e a transformação, oferecendo diferentes perspetivas sobre os ciclos que atravessamos.
Em contexto terapêutico e de desenvolvimento pessoal, estas imagens podem servir de ponto de partida para explorar emoções, reconhecer padrões e dar palavras ao que sentimos. Ao contemplar uma carta, podemos perguntar: «O que desperta em mim?», «Que relação encontro com o meu momento de vida?» ou «Que possibilidades consigo agora reconhecer?». A interpretação constrói-se a partir da experiência de cada pessoa, respeitando a sua autonomia. Este uso é simbólico e reflexivo, e não substitui em momento algum a autorresponsabilidade que temos nas nossas escolhas ou vivências.
Em Mabon, tempo de colheita, gratidão e equilíbrio, a simbologia dos arcanos maiores convida-nos a olhar para o nosso próprio percurso: reconhecer o que amadureceu, acolher as aprendizagens e perceber o que estamos disponíveis para deixar ir.
Convido-te agora a realizar um pequeno exercício.
Fecha os teus olhos por breves momentos, respira calma e profundamente. Permite que por um instante reconheças as tuas vivências do último ano.
Agora, escolhe um número de 0 a 21. Sem grandes pensamentos, recorda que não existe certo ou errado. O primeiro número que pensares é o certo para ti neste momento.
Agora podes observar que carta corresponde ao número que pensaste, e lê, na descrição abaixo, a mensagem que ela tem para ti neste momento.
Se sentires de partilhar conosco a tua experiência, ou se sentires que necessitas de algum esclarecimento adicional, podes sempre entrar em contacto comigo.
Mabon e os 22 Arcanos de Tarot
0. O Louco (The Fool) — O Viajante no Crespúsculo
Sua jornada de verão acabou. Ele para à beira do precipício não para saltar cego no vazio, mas para olhar o horizonte dourado do outono. Em Mabon, O Louco representa a coragem de desacelerar e aceitar que o ciclo de expansão terminou, preparando-se para caminhar pela terra em recolhimento.
I. O Mago (The Magician) — O Alquimista dos Frutos
Suas ferramentas elementais agora focam na transformação da colheita: o trigo em pão, as uvas em vinho. Em Mabon, O Mago alinha a vontade humana com o ritmo da Terra, usando o conhecimento prático para estocar e manifestar a abundância física antes do inverno.
II. A Sacerdotisa (The High Priestess) — O Véu Equinocial
Na igualdade entre luz e sombra, ela se ergue como a guardiã dos mistérios da terra que começa a adormecer. Ela nos ensina que a intuição e a sabedoria ancestral se tornam mais nítidas à medida que as noites ficam mais longas que os dias.
III. A Imperatriz (The Empress) — Mãe Colheita (Modron/Danu)
O arquétipo central de Mabon. Ela é a abundância plena da terra, transbordando maçãs, grãos, bagas e milho. Ela celebra a fertilidade manifestada, lembrando que a generosidade da natureza é uma bênção que deve ser honrada com gratidão.
IV. O Imperador (The Emperor) — O Provedor do Inverno
O foco muda da expansão do reino para a preservação e segurança. O Imperador em Mabon constrói celeiros, estabelece a ordem para o racionamento dos suprimentos e garante a proteção da tribo contra os frios vindouros.
V. O Hierofante (The Hierophant) — O Guardião das Tradições
Representa as celebrações comunitárias do Equinócio, os rituais de agradecimento e a transmissão dos ensinamentos dos anciãos. É a sabedoria de honrar a terra através de rituais coletivos e do respeito às leis sagradas da natureza.
VI. Os Enamorados (The Lovers) — O Equilíbrio dos Opostos
Em Mabon, este arquétipo reflete a união harmoniosa do Masculino Sagrado e do Feminino Sagrado na igualdade do dia e da noite. É a escolha consciente de viver em parceria com o planeta e em alinhamento ético com nossas colheitas pessoais.
VII. O Carro (The Chariot) — A Condução das Cargas
A energia do Carro redireciona o dinamismo para puxar os arados finais e carregar as carroças com os suprimentos da estação. Representa o autocontrole necessário para administrar a transição entre a luz e a escuridão.
VIII. A Força (Strength) — A Paciência do Guardião
O leão é amansado pela compaixão e gratidão. Em Mabon, A Força não é conquista sobre o mundo externo, mas o domínio interno e a resiliência emocional para encarar o esfriamento da terra com serenidade.
IX. O Ermitão (The Hermit) — O Olhar Interno
Inspirado na luz do lampião que começa a guiar os passos nas noites mais longas, O Ermitão se retira para examinar o ano que passou. Ele convida à reflexão e à absorção dos aprendizados adquiridos durante os meses de calor.
X. A Roda da Fortuna (Wheel of Fortune) — A Roda do Ano (Yule a Mabon)
Representa a própria roda celta girando. Mabon é o ponto de inflexão inevitável: a roda passou do auge solar (Lughnasadh) e agora declina suavemente em direção a Samhain. Ensina a impermanência e a aceitação das estações da vida.
XI. A Justiça (Justice) — O Balanço da Balança
Associada astrologicamente a Libra (que marca o Equinócio de Outono), A Justiça em Mabon exige um balanço honesto: O que você plantou na primavera? O que colheu agora? É o ajuste de contas interno e a busca do equilíbrio perfeito entre dar e receber.
XII. O Pendurado (The Hanged Man) — A Rendição do Grão
Como o espírito do grão de trigo sacrificado na colheita para nutrir a comunidade, O Pendurado representa o sacrifício consciente e a capacidade de pausar e mudar de perspectiva para compreender a sacralidade da morte e do renascimento.
XIII. A Morte (Death) — A Poda das Ramagens
Longe de ser uma tragédia, A Morte em Mabon é o processo natural do outono: as folhas caindo, a seiva descendo para as raízes, o solo descansando. É o desapego daquilo que cumpriu seu papel para abrir espaço à renovação futura.
XIV. A Temperança (Temperance) — A Mistura do Vinho e da Hidromel
É a arte de equilibrar a luz e a sombra interior, mesclando as experiências do verão para criar o tónico espiritual que sustentará a alma durante o inverno. A Temperança modera os excessos da colheita.
XV. O Diabo (The Devil) — O Apego à Matéria
Representa o medo da escassez ou o consumo voraz e ganancioso da colheita sem partilha comunitária. Em Mabon, lembra-nos de libertar as amarras do materialismo e da ilusão de controle sobre as forças da natureza.
XVI. A Torre (The Tower) — A Tempestade de Outono
As grandes tempestades que limpam os campos após a colheita. A Torre derruba estruturas frágeis ou ilusões que construímos durante o ano, garantindo que apenas o que é autêntico e essencial permaneça para o inverno.
XVII. A Estrela (The Star) — A Esperança na Semente
Mesmo quando as árvores ficam desnudas, A Estrela sussurra que sob a terra fria existem sementes vivas. É a fé renovada na continuidade da vida e na promessa de que a primavera sempre retornará.
XVIII. A Lua (The Moon) — O Crepúsculo dos Ancestrais
À medida que as noites se dilatam, as névoas de Mabon começam a afinar o véu com o mundo espiritual. A Lua nos convida a enfrentar os medos, integrar a sombra e respeitar a intuição no escuro que se aproxima.
XIX. O Sol (The Sun) — A Luz Suave do entardecer
O Sol de Mabon já não carrega o calor escaldante do Verão, mas sim o brilho dourado e acolhedor do entardecer. É a satisfação serena pelo trabalho realizado e pela celebração dos frutos acumulados.
XX. O Julgamento (Judgement) — A Avaliação Final
É o chamado para avaliar o ano. Não com punição, mas com discernimento espiritual. É o momento de colher os frutos das nossas escolhas e responder ao chamado de evolução interior antes do encerramento do ciclo.
XXI. O Mundo (The World) — A Conclusão do Ciclo de Plantio
A integração total da colheita. O Mundo representa a plenitude de um ciclo completado com sucesso, o encerramento harmonioso das atividades externas e a preparação perfeita para o repouso do espírito na terra ancestral.
Lammas, Agosto 2026
-------------- José Marquez
Lammas é o sabbat da primeira colheita, e os Arcanos Maiores que ecoam este período celta revelam um conjunto de arquétipos profundamente ligados ao ciclo da vida, ao sacrifício e à maturidade espiritual.
A Imperatriz manifesta a fertilidade plena — o grão maduro, a terra generosa, o corpo que nutre.
A Força representa o auge do poder solar, a coragem serena e o domínio da energia vital que ainda brilha antes do declínio.
A Roda da Fortuna traz o lembrete de que tudo gira: o que foi semeado agora retorna em forma de abundância, marcando a inevitabilidade dos ciclos.
A Morte simboliza o sacrifício do deus do grão — a transformação necessária para que a vida continue.
E O Sol ilumina o momento de celebração, gratidão e plenitude, o último grande brilho antes da descida para o outono.
Juntos, esses arquétipos formam a narrativa essencial de Lammas: criação, maturidade, sacrifício e renovação, um ciclo que honra tanto o que se colhe quanto o que se devolve à terra.
Litha, Junho 2026
-------------- José Marquez
Tradicionalmente, o Arcano XVIII é A Lua e o Arcano XIX é O Sol. Ambos representam uma jornada de transformação, na qual a consciência atravessa a incerteza para alcançar a clareza.
Toda jornada de autoconhecimento começa num território onde a luz ainda não alcança todos os recantos da alma. É nesse espaço silencioso que a sombra se revela, não como inimiga, mas como guardiã das partes esquecidas de nós mesmos. Atravessar esse território exige coragem para olhar para o que foi ocultado, acolher os medos, reconhecer as ilusões e compreender que nem tudo aquilo que permanece na escuridão deve ser combatido; muitas vezes, precisa apenas de ser visto.
O Arcano da Lua convida-nos precisamente a essa travessia interior. Sob a sua luz difusa, a realidade perde os seus contornos definidos e a intuição torna-se a principal bússola. A Lua fala dos sonhos, do inconsciente, das emoções profundas e dos labirintos da mente. É o reino dos símbolos, dos receios ancestrais e das projeções que moldam a forma como percebemos o mundo. Neste percurso, aprendemos que a sombra não representa apenas aquilo que negamos, mas também o potencial que ainda não ousámos despertar.
Depois da noite, porém, nasce inevitavelmente a aurora. O Arcano do Sol manifesta-se como a revelação que sucede ao mergulho interior. A luz solar não elimina a sombra; antes, permite compreendê-la e integrá-la. Representa a consciência desperta, a autenticidade, a vitalidade e a alegria de viver em coerência com quem realmente somos. O Sol ilumina aquilo que a Lua apenas insinuava, transformando dúvidas em entendimento, medo em confiança e fragmentação em unidade.
Entre estes dois arquétipos desenha-se um dos mais profundos ensinamentos do caminho iniciático: não existe luz sem sombra, nem sombra sem a promessa da luz. Uma não anula a outra; completam-se. É no diálogo entre ambas que o ser humano encontra a oportunidade de crescer, reconciliando razão e intuição, consciência e inconsciente, exterior e interior.
Neste capítulo através de rituais, proponho uma reflexão sobre essa dança permanente entre o oculto e o revelado, entre aquilo que receamos enfrentar e aquilo que estamos destinados a descobrir,
Porque, no fim de cada noite iluminada pela Lua, existe sempre um Sol pronto para nascer — não como um fim da jornada, mas como o início de uma nova forma de ver, sentir e ser.
CELEBRAÇÃO DO LADO SOMBRA EM LITHA
Com o Arcano Maior A Lua
Intuição • Sombra • Mistério • Revelação
1) Abertura — “O Chamado da Sombra”
Coloca a carta A Lua no centro do teu altar.
Acende uma vela prateada ou branca.
Diz: “No auge da luz, eu invoco aquilo que permanece oculto. Que a Lua revele o que precisa ser visto.”
Propósito: abrir o portal lunar dentro do solstício.
2) Respiração Lunar Profunda
Senta-te em silêncio.
Respira em 4 tempos, segura 4, solta em 6.
Visualiza uma névoa azul-prateada a subir do chão e envolver-te.
Esta névoa representa: o inconsciente, os medos, as memórias antigas, os padrões que se repetem.
É a “névoa da Lua”.
3) Invocação da Lua — “A Sombra que Fala”
Coloca a mão esquerda sobre a carta A Lua.
Faz a pergunta: “O que a luz de Litha está a revelar que eu ainda não quis ver?”
Escreve num papel tudo o que surgir, sem censura:
· medos
· inseguranças
· padrões
· ilusões
· autoengano
· sombras emocionais
Não julgues. Apenas regista.
4) O Caminho da Lua — Ritual de Revelação
Coloca o papel escrito sob a vela prateada.
Agora, observa a chama.
A chama representa o Sol.
O papel representa a Lua.
A sombra é iluminada — não destruída.
Diz: “Eu permito que a luz revele a minha sombra, mas não a queimo, não a nego, não a rejeito.
Eu vejo-a.”
5) A Travessia — “O Animal Interior”
A Lua rege o instinto.
Fecha os olhos e pergunta:
“Qual é o meu instinto ferido?”
Deixa surgir uma imagem: um animal, uma paisagem, uma sensação, uma memória
Este é o guia lunar que te acompanha até Samhain.
Escreve o que viste.
6) Transmutação — “A Sombra que se Move”
Agora, pega no papel da sombra e dobra-o três vezes.
Não o queimes.
A sombra de Litha não é para destruir, mas para acompanhar.
Coloca o papel: dentro de um frasco, junto de um cristal lunar (selenita, pedra-da-lua), ou enterrado num vaso.
Este gesto simboliza: acolher, integrar, observar, transformar com o tempo
A sombra precisa de ciclo, não de violência.
7) Consagração Lunar
Passa a carta A Lua sobre a vela prateada, sem tocar.
Diz: “Eu consagro a minha sombra com a luz suave da Lua. Que ela me guie, não me assuste. Que ela me ensine, não me prenda.”
8) Encerramento — “O Eclipse Interior”
Apaga a vela com os dedos (não sopres).
Coloca a carta A Lua sobre o teu peito por alguns segundos.
Sente: o mistério, o silêncio, o inconsciente, a profundidade.
Diz: “Eu sou luz e sombra. Eu caminho com ambas.”
CELEBRAÇÃO DA LUZ EM LITHA
Com o Arcano Maior O Sol
Expansão • Clareza • Vitalidade • Realização
(podes fazer ao amanhecer ou ao meio‑dia — horários solares por excelência)
1. Preparação do espaço
Cria um ambiente luminoso: abre janelas, acende uma vela dourada ou amarela, coloca algo que simbolize o Sol (um cristal, um círculo dourado, uma flor amarela).
2. Invocação da Luz
Coloca o Arcano O Sol diante de ti.
Respira profundamente e afirma:
“Eu desperto a luz que habita em mim. Que o Sol ilumine meu caminho.”
3. Reconhecimento da tua força
O Sol pede que reconheças tua própria grandeza.
Escreve três coisas que conquistaste desde o último solstício e três qualidades que brilham em ti.
4. Ativação da vitalidade
Passa as mãos sobre o teu corpo como se estivesses “varrendo” a energia estagnada.
Depois, leva as mãos ao peito e imagina um sol interno expandindo-se.
5. Afirmação solar
Escolhe uma frase para ancorar a energia do Sol. Exemplos:
“Eu brilho sem medo.”
“Minha luz é minha força.”
“Eu avanço com clareza e alegria.”
6. Ato simbólico de expansão
Acende a vela e visualiza a chama crescendo.
Imagina que essa expansão é a tua própria energia se abrindo para novas possibilidades.
7. Encerramento com gratidão
Agradece ao Sol, à tua jornada e ao teu próprio brilho.
Apaga a vela com intenção, não com sopro — como quem sela um pacto.
Mensagem do Arcano O Sol para Litha
O Sol diz:
“A tua luz não é um risco — é o teu caminho.”
Ele lembra que alegria é força espiritual, que clareza é poder e que a tua presença no mundo é, por si só, um ato de criação.
Integração Final
O Ritual Lunar de Litha não é sobre escuridão — é sobre verdade emocional.
A Lua revela o que a luz do Sol não alcança.
E quando a sombra é acolhida, a luz torna-se mais forte.
Integração Final
O Ritual Solar de Litha não é apenas celebração — é afirmação de poder pessoal. É o momento do ano em que a tua luz interna está mais disponível, mais forte, mais clara.
O Sol diz: “Brilhar é o teu direito.”